Ontem eu gerei uma baita confusão com minha resenha sobre o livro “Videogame Arte” de Arthur Bobany, ao expressar minha primeira impressão quando comecei a ler o mesmo. Em questões de horas a notícia se espalhou, principalmente porque eu a comentei com algumas pessoas que conheço e nesse intervalo de poucas horas o próprio autor entrou em contato comigo.

Meu objetivo com a resenha era a de expôr a (minha) verdade, o que eu achei do livro. Acho que acabei ultrapassando os limites e criei uma imagem negativa do autor para quem leu o texto, talvez por ter ficado tão inconformado com o que percebi (erroneamente ou não) na obra.

Devo confessar que, apesar de não ter comentado (até agora), eu ainda estava com um pé pra trás ao concluir minha resenha. Motivos? Tudo bem, tive a impressão que muita coisa foi cópia traduzida do Kelman, mas também pensava nas dificuldades que um autor precisa aturar durante o processo de escrita (sei disso pois já escrevi um livro e artigos para algumas publicações) e nos leitores. É complicado explicar essa parte dos leitores, porque fico olhando por cima do muro…

Eu pensava “Sacanagem o que ele fez”, mas depois pensava “Ok, eu tenho os dois livros e o de Kelman foi acessível pra mim… mas e pra quem não tem acesso ao de Kelman, seja pelo preço – que é mais que o dobro – ou pela língua inglesa? O do Arthur pode ajudar…” e voltava novamente ao pensamento “Não, caralho! O que ele fez não é certo com o Kelman e nem com os envolvidos que não sabiam do trabalho de Kelman.” Será que vocês compreendem? Por um lado eu não aceitava a obra de Arthur mas por outro eu queria aceitar pois sei que muitos gostariam de ter um livro desse tipo.

Mesmo assim resolvi publicar minha resenha. Bom, sempre há as resenhas positivas e negativas não? Talvez essa seja a primeira negativa do livro (“droga, eu sou um chato” hehe), mas creio que uma hora ou outra o mesmo comentário que fiz seria feito por outra pessoa. Arthur mesmo sabia disso e como ele mesmo disse num comentário, o que está feito está feito. E, assim como lemos resenhas de filmes, livros e outros, quem decide no final se um trabalho está ok e é bom é o próprio consumidor. Há bilhões de realidades na mesma quantidade que há bilhões de pessoas no mundo e se o livro não me agradou, talvez para o próximo ele seja a obra mais fodástica que já tenha visto.

E as lições aprendidas com o que aconteceu ontem? Você ainda não chegou nelas? Hum… Que tal:

1 – A mais óbvia, que a internet é um meio de comunicação no qual tudo vai-e-vem muito rápido. Em questões de minutos ou horas sua opinião chega aos olhos e ouvidos de centenas de pessoas;

2 – Logo, tome cuidado com o que você escreve.

3 – Se você estiver alterado, por exemplo estressado, nervoso, inconformado (ou bêbado, para alguns hehe)… Evite se expressar, pois nem sempre você se expressa da maneira correta. Tanto é que editei meu texto original. E isso também é válido para e-mails;

4 – Lembra-se da frase do prof. Girafales, que cada vez que o Chaves respirava, um chinês morria? Pois é, sua atitude atinge diversas pessoas de diversos lugares;

5 – Mesmo que você tenha sua opinião, se perceber que fez mal para outra pessoa, aprenda a ver seu erro e saiba pedir desculpas. E aqui, venho pedir desculpas à Arthur Bobany por ter passado uma imagem sua negativa publicamente, tê-lo deixado nervoso (e ainda por cima ter perdido o almoço);

6 – Aprenda a conversar e a ouvir. Se eu falei sobre o livro do Arthur, nada mais justo que ele ter o direito de responder sobre o que falei. Mesmo que as opiniões não batam e não cheguem num acordo, deixar que todas as partes se expressem é o melhor que podemos fazer;

7 – Decida o que é melhor pra você.

Update (tinha esquecido dessas…):

8 – O mercado literário é complicado. Se você já foi atrás para saber como é ter um livro publicado, entende. Burocracia (como qualquer outra coisa aqui no Brasil), corte de conteúdo para que o livro seja fechado com n páginas para que o orçamento não estoure e o preço não seja repassado para os consumidores, entre outros;

9 – O mercado literário é complicado. De novo? Não, eu apenas me lembrei como é muito chato você preparar um artigo com carinho e dedicação a ser publicado em revistas e só saber que o mesmo foi editado somente após ver o texto publicado. Isso já aconteceu comigo e a pessoa que editou parece que nem fez questão de ler o que fez, pois o artigo perdeu o sentido. Fora quando adicionam coisas que não são suas palavras ou quando não dão os devidos créditos.