Ok, meu primeiro post no estilo “report” de algum evento. Tenho mais um a caminho, sobre o XNA Gamefest Brasil 2007, que deveria ser o primeiro mas resolvi alterar a ordem pois o VGL será algo “mais rápido”. Motivo: o VGL será/foi coberto por grande parte da mídia eletrônica (leia a cobertura do concerto feita por Renato Bueno, que acredito que tenha sido feita ao vivo), enquanto o XNA Gamefest nem tanto. Isto é, quero dar mais informações sobre como foi o XNA Gamefest pois é um evento focado em gamedev. E isso não é coberto com tanto detalhe pela mídia como o VGL. Por isso, vou apenas comentar a experiência de ter ido ao concerto.

Em primeiro lugar, devo confessar que eu não ia no VGL, principalmente pelo valor da entrada e por ter que ir sozinho. Decidi ir pois o sócio da Microways está aqui no Brasil (ele é da Noruega) e eu e o JP resolvemos sair com ele. Então aproveitamos para ir ao VGL.

Fazia muito tempo que não ia no Via Funchal (acho que o último show que fui lá era do Rhapsody ou Tristania) e quando chegamos lá, vi uma fila enorme para entrar na casa. Rolou uma sessão nostalgia, bons tempos aqueles que tinha que enfrentar fila de ~4 horas para tentar um lugarzinho perto da grade. Mas o VGL é diferente e apesar de termos grande parte do público headbanger, também temos pais levando seus filhos pequenos para presenciar o espetáculo. E ao invés de pista, centenas de mesas e cadeiras. Nada de empurra-empurra e cotovelada durante o show. Ou quase: um cara estava muito empolgado na mesa ao lado ficava empurrando o casal que estava na mesma mesa que eu. E atrás de mim, desculpe Petra Leão, eu sei que você também se empolga pra caramba, mas empurrar a cadeira com tudo pra se levantar, naquele espacinho que tinha, não dá😛.

Quando entramos, tinha uma galera da imprensa lá na entrada, como o Fábio Santana e o Ricardo Farah. As pessoas podiam jogar Guitar Hero e um jogo de Formula 1 nas cabines da Petrobrás, comprar camisetas do evento por R$40,00, bonés, pôster, mini-capacete do Halo para webcams (???) e pegar os folhetinhos pra participar do sorteio de 2 PSP’s e 1 PS2 + Guitar Hero (infelizmente eu não preenchi e não participei). O JP narrou um vídeo mostrando a entrada do Via Funchal:

Saímos do hall de entrada e subimos a escada rolante para finalmente entrar na platéia. No caminho, recebemos propaganda da Claro e cartão da Petrobrás com um código para baixar 3 músicas da VGL. Tinha alguns funcionários da casa pra orientar os perdidos que chegavam, como vocês podem conferir no vídeo abaixo. Quando é show de heavy metal e pista, não tem nada disso hahaha!

Antes do show, houve um breve concurso de cosplay, e quem acabou ganhando foi o Link:

Depois do cosplay, o show realmente começou, com um medley de vários jogos antigos. O vídeo abaixo mostra até segundos antes de começar a tocar Dragon’s Lair e Space Ace.

Antes dos temas de Metal Gear Solid, Tommy T fez um breve discurso sobre a opinião dele em relação aos públicos do VGL: o melhor de todos é o Brasil! Essa afirmação acontece com todas as bandas que vêem tocar por aqui, afinal, os brasileiros são loucos! (no bom sentido). Basta ler entrevistas, álbuns de shows ao vivo, bandas voltando várias vezes, e até mesmo uma música do Edguy falando sobre o público brasileiro. Ao final do discurso, Tommy T apresenta Hideo Kojima, mas apenas por vídeo. Ia ser muito legal vê-lo pessoalmente, ainda que de longe, no palco!

Durante o tema de MGS, uma pequena brincadeira no palco: um soldado fica patrulhando enquanto Snake (ou uma outra pessoa dentro da caixa de papelão) aparece por trás.



E quem será que está dentro da caixa de papelão??? Pelo que Tommy T falou, ano passado era ele quem estava lá. Mas dessa vez…

Esse foi o último vídeo que filmei. O cartão de memória da minha câmera já estava quase cheio e resolvi parar de filmar (e no intervalo eu acabei emprestando minha câmera pra uma conhecida filmar, já que estava mais à frente e com um cartão de 2GB). Mas eu sei que as pessoas não vão decepcionar e o show inteiro vai estar no YouTube, ainda mais depois que Tommy T falou “I’m seeing some red lights, orange lights… No, that’s ok, no problem… Just make sure you put that shit on YouTube!”.

O show realmente é um show. Não como qualquer um. Primeiro porque é um show de gamemusic. Segundo que temos uma orquestra e coral. Terceiro, uma ótima interação com o público: o primeiro desafio da noite era o “Gordinho” vestir uma camiseta super pequena (pelo menos pra ele) com a espaço-nave do Space Invaders nas costas. Ele tinha que completar a primeira fase em 2 minutos. Só que ele era o controle, isto é, se ele fosse pra direita do palco, a nave ia pra direita. Pra atirar, ele tinha um joystick. O prêmio, caso completasse a fase em 2 minutos, era a pontuação final convertida em reais. Mas como o tempo era curto e tinha que correr o palco inteiro, a produção do concerto foi esperta em chamar apenas os caras “bem acima do peso”. Infelizmente, o “Gordinho” (termo usado pelo próprio Tommy T) não completou a fase, mas ganhou um jogo com vários títulos arcade pra casa.

O segundo desafio foi para um cara com camiseta do Lanterna Verde: fazer uma volta no circuito virtual de Interlagos em até 01m10s, correndo na cabine da Petrobrás (como um carro de Formula 1). Caso ele completasse a volta num tempo menor ou igual ao estipulado, ele levaria o carro para casa. Fico imaginando o quanto vale um carro desses… A platéia estava torcendo por ele, mas ele cometeu dois erros graves (saiu da pista) que acabou prejudicando a corrida. Se não fossem esses erros, ele com certeza iria ganhar: fechou a volta em 01m30s – 20 segundos a mais do que o necessário. O comentário geral foi “Aonde é que eu iria guardar um trambolho desses se eu ganhasse?”

No terceiro desafio, subiram ao palco duas garotas, uma loira e uma morena, para uma disputa de Frogger. Tommy T safado se aproveitou e deitou nos peitos da loira por alguns segundos hahaha! Ela foi muito bem no jogo, mas o que foi aquela morena jogando??? Não conseguiu chegar até o rio nenhuma vez (se chegava era porque tinha caído de primeira no rio). A loira ganhou o jogo com vários títulos arcade e a morena o Frogger, pois precisa treinar mais! Além dos desafios, teve sorteio de 2 PSP’s e 1 PS2 + Guitar Hero. Ah sim, nessa parte do show, a orquestra tocava em real-time, de acordo com as ações das jogadoras (Tommy T até lançou uma piadinha de que deve ser assim que os milionários jogam videogame – com uma orquestra tocando ao vivo enquanto jogam).

De volta às músicas…

O show não podia deixar de contar com a participação de Martin Leung, o famoso “Videogame Pianist”. O cara simplesmente deixa toda a platéia boba, tamanha a velocidade (e virtuosidade) na execução das músicas. Tocou Chrono Cross, Final Fantasy medley e, claro, o tema do Super Mario bros. com os olhos vendados. Até aí, “tudo bem” (afinal, o vídeo dele é muito famoso). A surpresa foi antes dele tocar com as vendas nos olhos. Tommy T contou à platéia que recebeu uma mensagem de um brasileiro fã de Martin Leung e que ele gostaria de tocar o tema de SMB para o ídolo. Sobe ao palco então Lucas com um violão na mão. O cara toca muito bem, e pra ficar mais interessante ainda, toca SMB com os olhos vendados também! Já pode ser considerado o “Videogame Guitarist”!

Outros temas que foram tocados incluem Starcraft 2 (que tinham tocado apenas na BlizCon), Myst, Kingdom Hearts, Halo 3, Beyond Good & Evil, Civilization, Tron, Medal of Honor (com um vídeo produzido com a Discovery Channel) e, fechando o show, One Winged Angel do Final Fantasy VII, com Tommy T tocando alguns riffs na guitarra (que estava com o som desligado no começo da música – nem tudo é perfeito, não?). Nem preciso dizer que a platéia foi a loucura com a One Winged Angel.

Acredito que o show tenha começado às 20hs e só sai do Via Funchal depois das 23hs. Ou seja, foi mais de 2 horas de show, se não errei os cálculos. Fazendo uma análise pós-show, sim, o valor é alto mas valeu a pena. Se você é daqueles que reclama que o show está caro mas sai bastante, vai pra balada, McDonald’s, etc., sugiro que deixe de sair por alguns dias, guarde o dinheiro e vá na próxima! É algo bem diferente! Vale lembrar que há o dinheiro da condução (e estacionamento caso você vá de carro – algo em torno de R$20) e caso queira comer e beber, os preços dentro da Via Funchal são bem elevados. E os praticados nas vans, bestas e kombis que ficam na rua também! (R$3 por uma latinha de refrigerante é caro, não é?)

Acho pouco provável que quem esteja lendo esse texto não esteja bem integrado no mundo dos games, mas se é este o seu caso… Se você é pai ou mãe e seu filho quer ir no show, porque não levá-lo? É música, é cultura. Com orquestra. Talvez você não compreenda algumas piadas ou a alegria e agitação de grande parte da platéia, mas se seu filho já demonstra interesse, nada melhor que tentar compreender mais esse “novo mundo” para certificar-se que seu filho esteja protegido. Falo isso porque vi várias famílias na platéia e muitos pais com cara de “o que está acontecendo aqui? o que estou fazendo aqui?”. Comportamento perfeitamente normal.

Ah sim, o fundo e a parte superior sempre são lugares mais calmos. O pessoal mais fã de jogos fica mais pro meio e na frente. Apenas uma dica quando você for escolher o local.

Minha única reclamação em relação ao evento é sobre o espaço entre as mesas e posicionamento das mesmas. As cadeiras são confortáveis, mas o arranjo delas não ajuda. Acabei vendo o show sentado de lado, o que não faz nada bem pra coluna e pescoço. É claro que a casa tem que acomodar bastante gente, mas é ridículo ter que subir na cadeira e pulá-la para poder sair da mesa pra ir pro banheiro. Não tinha como você se levantar da cadeira pois não tinha espaço suficiente para empurrar a cadeira para trás. Fora as várias vezes que chutei o pé do cara que estava sentado na minha frente. Esse foi o ponto negativo do show. De resto, não tenho o que reclamar, só elogiar.

PS: anunciaram que o DVD estaria à venda no evento, mas as mulheres que estavam no estande da camiseta informaram que o DVD não tinha chegado a tempo. Resta esperar mais um pouco para que tanto o DVD quanto o CD (do show de 2006 no Rio de Janeiro) seja lançado no mercado.